terça-feira, 21 de junho de 2016

No poder (pode) perde (r) -se uma esperança

Foto: Google
Várias vezes tentamos nos definir nos olhos de muitos. Pensando enquanto agimos, e nesse percurso esquecemos que muita coisa se perde e muita lagrima se deixa cair sobre os asfaltos da vida, que também levam consigo desesperos e esperanças de uma legião de Homens que vão tentando definir a paz como um caminho de encontrar-se na esperança de um mundo melhor.
Por vezes, o poder se torna um conceito que revela nossas limitações, quando não conseguimos distinguir quando um povo clama pela paz ou clama pelo silenciar dos guindastes armados. Ainda que um verdadeiro combatente ou lutador se demonstre imbatível até ao fim, há que nele sobejar o pensamento de que não vive sozinho em uma nação, pois diversas raças clamam por um espaço para respirar, sem que se sintam amedrontadas.
Nalgumas vezes, quando paro para escutar, ouvir e apreciar, vejo pouca gente que canta o hino nacional com alegria e lembranças dos que tombaram, lutando para nos libertar, pois ainda falta em alguns de nós as lembranças do que um dia passamos e o pensamento de que a guerra rouba nos o pouco do humanismo e vai sementando em nossas terras a fome, o medo, o analfabetismo, a pobreza e as disparidades de irmãos que rebelam-se por causa das cores partidárias, de familiares que formam quarteis, de uma nação que fecha os olhos quando chega o momento de perceber que aos poucos vai caindo numa lama que pode significar o seu esquecimento ou descredibilização para os olhos do mundo. Mas o mais importante não é o fazer as coisas para que o que está fora da sua casa te admire, porque muitos fritam cebolas em suas casas para amedrontar o vizinho que pensa que se está a cozinhar carne. Muitos compram fatos para que a sociedade os respeite, mesmo que em suas casas não haja o pão de comer. Mas alguns compram tais fatos porque esperam que a sociedade não os julgue por aquilo que tem, mas por aquilo que eles realmente são: pessoas que merecem uma oportunidade para definir seus passos, sem medo de que um dia em suas cabeças caia uma bala de fúria dos que querem virar totobolistas enquanto deixam hipotecada a esperança de milhares de pessoas que fogem de suas sombras pela incerteza estendida sobre as suas terras.
Acho que chega uma altura em que se deve ter um pensamento mais “sociedade” do que individual. Acreditando em todas formas que originam uma guerra, conflito, penso também que se pode ter em conta factores que tem a ver com o factor crescimento ou esfera social, porque isso também pode determinar quando começar uma guerra (não que esteja a dizer que a guerra seja alternativa), ou seja, penso que estando numa fase em que vivenciamos diversas dificuldades relativas com o desenvolvimento social (educação, economia, justiça, saúde), há pressupostos que seriam de tamanha relevância, como por exemplo optar pelo dialogo (esta expressão já está gasta no nosso contexto) para que se possa sair da cova e da desconfiança dos parceiros que já decidiram tirar seus investimentos, ajudas do nosso país.

(Um poema de paz):
Transforme inimigos em amigos

Muitas tropas tombaram na guerra
Ao invés de formar legiões de guerra formemos legião 
De humanos que zelam pela pátria e cantam cancão de glória e orgulho 
Por aquilo que tem e que almejam para o futuro dos que ainda vem
Pois a nação não se faz somente do presente
Há um futuro que vai ditar os nossos actos presentes

Nos tornamos uma nação de balas e obstáculos
Que nem chegamos a perceber que os nossos laços
De amizade e familiaridade se vão esgotando cada vez
Que escolhemos partes quando desenhamos uma nova guerra
E a ambição de querer definir quem tem mais poder
Enquanto sonhos se desfazem e crianças viram órfãs
Sem oportunidade de chamar seus progenitores de pais

Não importa quão difícil sejam os obstáculos
Podemos transformar a guerra em união
Que galvanize raças dispercas por toda terra
E numa só voz cantemos a paz que tanto ansiamos

E sobre um gole do vinho feito sobre as nossas terras aráveis 
Rompamos com as diferenças que nos fazem virar animais
Em cada dia que construímos muralhas de corpos deitados
Ao relento
Corpos de irmãos que vimos nascer nesta pátria 
Que um dia nela Samora governara
E viu ideais como Mondlane e Josina darem suas vidas
Por um sonho de ver gente cantando glórias e alegrias
Sem que o cheiro da pólvora fosse o limite
De gente que almeja olhar para o outro
E numa felicidade dar um abraço de fraternidade
Porque afinal há uma humanidade que reside em cada um
O que nos resta é nos abster de tanta sede pelo sangue
E juntos arquitetarmos um novo mundo

Até inimigos viram amigos quando mostramos
Que na sua raiva se pode cultivar um amor
E na espada que apunhala para tirar uma vida
Se pode plantar a semente da esperança
Esperança que faz mundos cantarem mesma música
A música do desenvolvimento e da prosperidade

Frente a frente podemos seguir todos juntos
Não precisamos de armas para criar alas
Ou para mostrar quem é mais veloz na vontade de matar
Ou quem pode derrubar uma nação num só grito
Queremos espaço de almejar sonhar...viver e nos erguermos
Sobre este chão um dia molhado de lágrimas e lamentos
De tanta gente que não viu seu sonho de ser livre se realizar

Uma boa jornada de esperanças é aquela que se desapega de querelas
Pois as trompetas de guerra somente farão soar 
Lágrimas em toda pátria
Ecoando vozes de mães mortas sobre o olhar de seus filhos
Desnutridos e famintos de amparo

Em uma guerra não se perdem somente riquezas
Perdem-se vidas que almejavam crescer
Fazer gente sonhar na possibilidade dum mundo melhor
Vontades de um dia cantar paz
Sem ter que assistir o grito de uma nação que se desfaz
E vai duvidando das suas raízes
Cada vez que deixamos o ocidente cantar mais alto
Do que as nossas raças
E amizades construídas desde as nossas nascenças


Sérgio dos Céus Nelson

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Frente aos factos

Sobre o autor do blog

Sérgio dos Céus Nelson

Communication Officer at Lúrio University Journalist. Freelancer. Activist of Human Rights. Photographer

Communication and information specialist. Journalist. Writer. Screenwriter. Researcher. Motivator. Volunteer.

Founder of the Association of Environmental and Human Rights Journalists - AJADH and the Literary Association of Arts and Culture of Mozambique (ALARCUMO).

Contact: (+258) 829683204 or 846065018/879877312

Skype: Sérgio dos Céus Nelson

Journalist with Honorable Mention in the International Prize for Human Rights Journalism, by the Association of Public Defenders of the State of Rio Grande do Sul (ADPERGS) - Brazil.

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