quarta-feira, 8 de junho de 2016

O estilo da mana Xiquitita

Foto: Google
Xiquitita é uma moça diferente. Nasceu ali perto nas terras de Chidenguele. Desde cedo ela sonhou em ser livre e fugir das raízes locais e conhecer novas terras onde as luzes brilham muito nas noites e iluminam a miséria dos pobres.
Mana Xiquitita não temia a assimilação. Decidiu viajar a Maputo para realizar o sonho moçambicano que somente seria possível se residisse na província onde moram os governantes mais ricos de Moçambique.
La nas zonas da Mafalala, onde ela residia, foi se acostumando com muitos hábitos. Aliás, acreditava que poderia viver aquela vida que ela presenciava. Epah, estava a me esquecer. Não vos disse quem era a mana Xiquitita.
Mana Xiquitita é uma donzela de seus vinte e poucos anos. Não sabe o certo porque os pais não a registraram porque pensavam que no registo se cobrava valores de talhões para registrar uma filha. Ela tem uma altura de um metro e qualquer coisa, mas o importante é que tem um corpo que lhe orgulhava e a fazia acreditar que deixaria qualquer homem cansado de olhar ate tropeçar. Na verdade, ela tinha um umas costas que afugentavam uma "curvatura bundal" que reflectia milhares de corações de homens safados que não aguentam com nenhum estilo. Ela tinha uns olhos azuis. Não. Na verdade são castanhos. Acho que já não me lembro porque da ultima vez que a vi ela usava uns olhos verdes que fora oferecida por uma amiga chique.
Xiquitita não tem dinheiro. É uma mocinha das ruelas dos bairros. Mas uma verdadeira lutadora.
Não tardou para Xiquitita tentar fugir das raízes de Chidenguele e aprender a ser como são as meninas das cidades.
Nesse dia em que a vontade de ser uma pop star lhe consumira, Xiquitita decidiu descer a baixa da cidade para fazer compras, depois de ter colectado um dinheiro das vendas das toradinhas nas noites calmas em que era forçada a tomar banho para não espantar o cliente. Então Xiquitita era decidida.
Era tao motivacional que via-se no altar do desejo dos homens, sendo ela a tal predileta. Entre olhares e incertezas, Xiquitita ouve pessoas falarem das “colantes”. E ela não pensou em mais nada e sem perceber solta a frase: Na mina na ma lava bva ma colante (Eu também quero essas colantes).
Levada a loja por aquele vendedor que faz toda malta gastar suas economias a comprar algo que não programara, Xiquitita ve-se domada pelo vendedor que a faz experimentar aquelas colantes da nova moda, transparentes que mostram facilmente as fraldinhas que escondem as toranjas das traseiras das mulheres. Então ela ficou duvidosa se as pessoas lhe olhariam com tal veste.
             - Vao-me olhar se eu for a usar isto? Pergunta mana Xiquitita toda perplexa e atônica em saber se ela seria a musa depois de usar o novo grife.
            -  Voce pensa que eu te daria lixo? Estas roupas estão na moda minha filha.
Entao o vendedor faz sua parte. Mentindo ou não, convenceu a mana que ela seria tudo dentro daquelas colantes. Então faltava uma blusa nova. Uma que cheiraria a loja toda de tantos agrabatins, e incensos que usam para espantar demônios que impedem que o negocio sobreviva. Ali estava o vendedor para abrir os olhos da mana.
Depois de umas colantes verdes, mana Xiquitita ve-se comprando uma blusinha rosa. Aquela blusinha parecia a tal serpente que nos mentem que traiu Adao e Eva nas noites tranquilas e arrepiantes do jardim do Eden.
Dia seguinte não seria o mesmo. Mana Xiquitita decidiu vender cedo as toradinhas para depois dar umas voltas. A sua tia somente a poderia liberar a passear se vendesse as toradinhas. Então la para as catorze horas ela estava em casa, pronto para engraxar aquelas sapatilhas amarelas que comprara ali naquela curva de Xipamanine.
Entre corridas para o banho e escovar os dentes com mulala, Xiquitita pega um bocado de cinza na fogueira e mistura com a mulala para mandar embora da sua boca aquele cheiro que faria desmaiar qualquer homem. Então faltaria perfume. Não tinha.
Olha para os lados e vê no corredor da varanda da casa um limoeiro sorrindo para ela. Então ela foi ate ele e arrancou um limão, que depois de cortado foi esfregado naqueles sovacos que pareciam um amazônia de tantos esconderijos que existiam.
Vinte minutos passam e a mana Xiquitita estava no quarto se aprumando. Minutos depois ela sai. Ela era a tal. Fenomenal, e diferente como sonhara.
Debaixo para os pés poderia ver-se as sandálias amarelas acompanhadas daquelas colantes cor da água que nos faziam ver jerusalém e aquelas terras escondidas de Chidenguele. Como se não bastasse, ela fazia-se formosa com aquela blusa vermelha que mostrava as duas laranjas frontais que nunca tinham sido exprimidas. Ah, mana Xiquitita estava mesmo chique. Ela parecia um arco-iris de tantas cores em seu corpo.
Por sorte ou azar, quando ela sai de casa, ninguém la estava para dize-la se estava bem ou não. Mas ela sentia-se a Beyoncé de Moçambique. E la foi, na passarela da cidade de Lourenço Marques para castigar os olhos dos homens que atropelariam crianças por olharem a sua matricula que fazia-se visível para todos.
Xiquitita fazia furor, fazia expectaculo na zona. As mulheres invejosas a riam sem parar. Ela não zangava e continuava. Ela levantava o queixo como se quisesse arrancar uma laranja presa na sua arvore. Ela estava firme que inspirava.
Os homens, como pensam debaixo, olhavam tanto que ela imaginava-se mesmo Beyoncé. Mas as sandálias não estavam a seu favor. As sandálias tinham sido gastas a um bom tempo antes de ela comprar na calamidade. No meio da rua elas desmancham-se e Xiquitita começa a transpirar. Ela fica mal e ve-se constrangida por aquelas malditas sandálias que estragavam o seu charme. Então ela vê um arrame e espeta na sandália para continuar a jornada. La se foi, enquanto os manos olhavam com olhos de lupa para cada detalhe do corpo da mana Xiquitita.

Continua na próxima edição

Sérgio dos Céus Nelson

ADVERTISEMENT
Frente aos factos

Sobre o autor do blog

Sérgio dos Céus Nelson

Communication Officer at Lúrio University Journalist. Freelancer. Activist of Human Rights. Photographer

Communication and information specialist. Journalist. Writer. Screenwriter. Researcher. Motivator. Volunteer.

Founder of the Association of Environmental and Human Rights Journalists - AJADH and the Literary Association of Arts and Culture of Mozambique (ALARCUMO).

Contact: (+258) 829683204 or 846065018/879877312

Skype: Sérgio dos Céus Nelson

Journalist with Honorable Mention in the International Prize for Human Rights Journalism, by the Association of Public Defenders of the State of Rio Grande do Sul (ADPERGS) - Brazil.

Subscribe to this Blog via Email :